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TOTAL ECLIPSE

AHN
HAERIN

Eternity. It's the sun mingled with the sea.

01.dna by kendrick
02.itch by nothing but thieves
03.cornerstone by arctic monkeys
04.ungodly hour by chloe x halle

dossier.

001.

name. ahn haerin.
other name/s. riri.
birth/age. 29/12/1996, 30.
ethnicity. korean.
nationality. south korea.
residence. london, uk.
hometown. seoul, sk.
family. mother, father.
pets. none.
language/s.
korean, english, french.

karma butterfly
A SHEER FEATHER まとった 天女のように 毒帯びた 羽から. 棘がささったままで 飛び続けるのだとしても かまわない 背負ってゆくわ, I'M A KARMA BUTTERFLY.

002.

Haeri tem uma personalidade naturalmente boa, ao menos em sua superfície. É uma pessoa solicita, gentil, simpática e extremamente esforçada. Mas claro, ela nunca deixou que notassem como o sorriso dela nunca alcança seus olhos, como fica queimando em violencia quando as coisas começam a sair de seu controle. Dado todo seu background, é uma pessoa difícil de impressionar, e que se acostumou a esconder seus verdadeiros sentimentos e se arrisca para conseguir o que deseja, podendo até ser caracterizada como dissimulada, obstinada e impassível.Poucos sabem que ela tem um lado frágil, assustado e sem esperança, um lado que a faz ficar noites e mais noites acordada, o resquisio da Haeri que existiu um dia, antes de Londres, antes de Florence.

background.

the doll house

A família Ahn por anos se mostrou referência para diversas outras e, seja de longe ou perto, eles eram perfeitos. O patriarca, Ahn Junho, CFO de uma multinacional automobilística, enquanto sua mãe, Hayoung, uma renomada arquiteta que trabalhava junto do marido, eram sempre cobertos de elogios por qualquer um que os conhecesse. E junto de Haeri, eles eram os três melhores amigos, Os 3 Mosqueteiros, os pais perfeitos que sempre apoiaram todos os sonhos de sua preciosa filha única. Isso tudo visto de perto, com as portas da grande mansão abertas, com todas as luzes acesas e todas as garrafas da matriarca escondidas tal qual os hematomas de Haeri. Eles eram ótimos em fingir, dignos de prêmios por atuação, então mesmo para alguém que passasse um mês ao lado deles, se os Ahn não quisessem, não veriam por trás de suas grossas cortinas.Haeri nunca soube dizer por que seus pais a odiavam tanto, por que sua mãe aguentava tudo aquilo, por que nunca a defendeu de seu pai e por que, assim como ele, muitas vezes ajudava a maltratá-la de todas as formas possíveis. A coreana simplesmente aceitou que sua vida era essa, que em casa só deveria falar se lhe dirigida a palavra e que deveria se esforçar para não cruzar o caminho de seus pais ou agir de forma irritante — o que era difícil, visto que o simples fato da garota respirar parecia irritá-los. Mas mesmo que tivesse aceitado, todo dia para si era uma batalha; uma batalha que envolvia engolir o choro, colocar seu melhor sorriso e ser a melhor versão de si para seus amigos que, claro, por mais que os conhecesse como a palma de sua mão, não sabiam praticamente nada sobre ela — pelo menos nada real. Não que a garota mentisse, longe disso, ela apenas floreava e omitia algumas coisas para o seu próprio bem e dos colegas.A única vantagem de ter nascido naquela família era que, para se manter longe, podia preencher todo seu dia com aulas extracurriculares e cursos como ballet, artes, violino, matemática aplicada, inglês, canto e tudo mais que quisesse, desde que não trouxesse vergonha para a família e que os pais pudessem exibir todos os seus feitos. Por conta disso, o quarto da garota era cheio de medalhas, certificados e troféus, e por mais triste que fosse, se sentia orgulhosa e amada quando os pais decidiam exibi-los para algum amigo e, mesmo que soubesse que era a mais pura falsidade, corava quando seu pai dizia para alguém que ela era o orgulho da família.Foi o ballet, entre todas essas aulas e cursos, que se tornou a mais absoluta das fugas. Entre espelhos e barras, ela conseguia desaparecer de um jeito especial, poderia depositar todas sua concentração em aprender passos difíceis, em construir resistência, em se transformar em personagens. Não demorou para que o talento se tornasse difícil de ignorar, e aos doze anos, depois de um processo seletivo que ela encarou com uma disciplina impressionante para a idade, foi aceita na Sunhwa Arts School e o balé virou também mais uma arena de performance e comparação, só que dessa vez – pela primeira vez – era uma arena em que Haeri se destacava por mérito próprio, sem precisar da encenação dos pais para ser vista, tinha a possibilidade de conquistar uma plateia muito maior. Isso trouxe um tipo de orgulho contraditório já que o mesmo talento que a mantinha longe de casa também a mantinha, de um jeito estranho, presa ao ciclo de precisar ser excepcional para alimentar sua sede de aprovação.Quando aos 15 anos recebeu a carta de aprovação da Royal Ballet School, em Londres, sentiu muito mais do que orgulho de si mesma. Haeri estava, acima de tudo, alivida. Londres significava distância, um oceano inteiro entre ela e as portas fechadas daquela mansão. Não importava o quão mais difícil tudo fosse se tornar, o importante era que estaria finalmente longe do que nunca seria de fato sua casa.Foi nesse cenário que Florence Ashworth entrou em sua vida e por muito tempo, foi a única coisa que pareceu real em meio a tanta pressão. Filha de um ex-bailarino famoso, Florence tinha um sobrenome que abria portas, e uma habilidade cruel de fazer Haeri se sentir a pessoa mais importante do mundo e completamente insuficiente ao mesmo tempo. Havia algo perigosamente familiar naquilo, a mesma lógica de aprovação condicional que conhecia de casa, só que agora vestida de intimidade, de cumplicidade, de escolha. Florence era muito mais experiente do que Haeri, tinha um conhecimento de vida mais vasto do que o dela porque cresceu com uma liberdade que a coreana, até então, nunca tinha encontrado. A garota alguns bons centímetros mais altas do que si, era confiante, tinha um tipo de magnetismo que não era só reservado para os palcos ou audições: Florence era tudo que Haeri sempre quis ser. Ou ao menos, quase tudo, já que alguns diriam que Haeri era melhor no balé. Pelo menos no balé.Haeri nunca conseguiu nomear direito o que sentia por Florence, “amizade” parecia pouco e “rivalidade” parecia incompleto. Era alguém que ela amava e temia em doses quase idênticas, alguém cuja aprovação ela buscava mesmo sabendo, no fundo, que era algo corrosivo.O que aconteceu na tarde em que Florence desapareceu é algo que Haeri revisita sozinha, à noite, mais vezes do que gostaria de admitir. Naquele dia, as duas brigaram no dormitório que dividiam, disputando o mesmo papel, Florence usando aquele tom baixo e afiado de sempre, o tipo de crueldade que soava quase como cuidado, tentando fazer parecer que todas as coisas horríveis que proferia eram conselhos de uma melhor amiga preocupada. Pela primeira vez, Haeri revidou — não gritou, nenhuma das duas gostava de plateia para as próprias fragilidades, mas disse coisas que nunca tinha permitido a si mesma dizer em voz alta, engolindo as lágrimas entre uma frase e outra. Horas depois, ao sair do banho, Florence simplesmente não estava mais lá.Quando a polícia a interrogou, Haeri omitiu algumas coisas… Disse que haviam conversado sobre trivialidades depois de tomarem um café na cafeteria favorita da amiga, nada além disso, e que tomou um banho demorado quando chegaram porque tinha tido uma aula exaustiva. Não mencionou sobre a briga, não mencionou sobre ambas estarem se estranhando desde que seus sonhos começaram a se cruzar demais. Era mais fácil de carregar do que a verdade da briga, das lágrimas engolidas, da pergunta que ninguém fez mas que ela temia mais que tudo: o que exatamente elas haviam “conversado”, de verdade, na tarde em que Florence desapareceu.Na semana seguinte, o celular de Haeri tocou algumas vezes com um número supostamente desconhecido. Toda vez exatos quatro toques, e nada mais. Ela soube desde a primeira ligação, com uma certeza que lhe gelou o estômago, exatamente o que aquilo significava, e exatamente quem estava do outro lado. E, toda vez, ficou olhando para o celular tocando até o silêncio voltar, sem atender. Disse a si mesma que tinha medo. Era verdade, em partes, mas havia também um grande alívio em imaginar que sua maior rival, de um jeito ou de outro, tinha finalmente saído do caminho, e atender aquela ligação significava trazê-la de volta para dentro da própria vida outra vez. Decidiu fingir que o celular quebrou, comprando outro junto de um novo número.Haeri nunca contou a ninguém sobre essas ligações, principalmente não contou à polícia, e não abriu a boca para mencionar uma suspeita que tinha sobre um professor, mesmo sabendo que talvez tivesse em mãos a prova de que Florence continuava viva em algum lugar, ou por onde poderiam começar a procurar seu corpo. Escolheu, repetidas vezes, o silêncio e não existe a saída fácil de dizer que não sabia, que não teve chance, que talvez fosse só imaginação. Ela sabia. E escolheu não salvar Florence do que quer que fosse.Hoje, anos depois daquela tarde em Londres, a carreira de Haeri decolou da maneira que ela sempre sonhou, quase como se tivesse feito um contrato com o diabo ao abrir mão da melhor amiga. Primeira bailarina da Royal Ballet, aplaudida em teatros que a garota de quinze anos recém-chegada em um país desconhecido nem sonhava em pisar, ela gosta de fingir que tudo ocorreu como deveria e que, no lugar dela, Florence teria agido da mesma maneira.A temporada que se encerrou naquele início de ano tinha sido a mais exaustiva de toda a carreira de Haeri com meses emendando espetáculos, viagens, entrevistas, o corpo e a mente exaustos além do que ela costumava admitir até para si mesma. Quando finalmente teve alguns meses livres pela frente, a única certeza que tinha era a de que precisava desaparecer por um tempo, em um lugar onde ninguém soubesse seu nome antes de vê-la dançar, onde não houvesse plateia, nem crítica. Foi então que se lembrou de uma conversa recente com Yongguk onde ele mencionou um convite para hospedagem em um hotel isolado nas montanhas de Kurotsuki, algo chamado Elysium. Haeri não soube dizer o que exatamente a atraiu tanto na descrição: talvez o isolamento, talvez a promessa de luxo que ela de uma forma ou de outra, sempre gostou. Decidiu conhecer o hotel por conta própria, sem grandes expectativas além do descanso. Fez as malas sozinha, como sempre fazia, e partiu sem imaginar que aquele refúgio escolhido a dedo guardava exatamente o tipo de coisa da qual ela passara a vida inteira tentando fugir.

I believe I am in Hell, therefore I am.

guidelines.

  • 001 Meus pronomes são ela/dela, sou +21 e estou aberta para todo tipo de plot.

  • 002 Sempre vou preferir jogar ao invés de hc, mas entendo a demora em respostas afinal todos temos vida fora daqui e também aprecio compreenção. Não tenho problema em combinar hc caso seja necessário.

  • 003 A Haeri é uma personagem de personalidade instável, por mais que ela tente muito parecer que não é, então peço que leve isso em consideração quando interagirem com ela.

  • 004 Se por ventura minha char lhe ofender de alguma forma, por favor me chame na dm para que possamos resolver de forma clara.

CHAPTER I.

Tudo parecia encantador naquela noite, inclusive a atmosfera. Ou talvez fosse simplesmente a animação de Haeri em estar em um lugar diferente, longe da rotina que conhecia de cor. A margem do rio havia se transformado para o festival: lanternas de papel penduradas entre as árvores, mesas decoradas com flores pequenas, tudo regido pelo som das águas ao lado. Havia famílias inteiras rindo perto das mesas de comida, casais de mãos dadas escolhendo onde escrever seus desejos, amigos tirando fotos com as lanternas ainda apagadas erguidas acima da cabeça. Haeri observava tudo com aquela mistura estranha de encantamento e distância que sempre a acompanhava em lugares assim, com o sentimento de que estava assistindo a vida acontecer através de um vidro fino, presente, mas nunca completamente dentro da cena.Yongguk estava ao seu lado, as duas mãos segurando o antebraço dele só para garantir que não iriam se perder um do outro – mesmo que não fosse necessário porque não era como se o lugar estivesse abarrotado – enquanto ele segurava as duas lanternas, procurando um lugar mais vazio onde poderiam escrever seus desejos. Uma vez um pouco afastados do fluxo principal de pessoas, onde a grama descia suavemente até quase tocar a água, Yongguk se abaixou primeiro, apoiando as duas lanternas com cuidado sobre um banco de madeira, e Haeri sentou ao lado dele, ainda sentindo o frescor da noite contra a pele. Não importava quantas pessoas reclamassem do verão, ainda seria sua estação favorita.Finalmente, voltou sua atenção para a razão principal de estarem ali: a lanterna. Era leve, quase frágil entre suas mãos, o papel translúcido deixando entrever a estrutura de bambu por dentro, como um esqueleto, e só então ela percebeu que já tinha um bilhete lá dentro. Um bilhete pequeno, dobrado com cuidado, parecia até ter sido escondido de propósito. Automaticamente franziu o cenho, talvez fosse apenas o papel onde deveriam escrever, mas antes de se acomodar com essa ideia, Yongguk estendeu para si o papel que receberam da organização do evento, junto de uma caneta.Ela hesitou por um segundo, trazendo mais um "talvez": talvez fosse instrução do hotel, um poema padrão que colocavam em todas as lanternas para inspirar os hóspedes a escreverem seus próprios desejos. Havia lugares assim, ela sabia, que gostavam de plantar pequenas poesias genéricas para criar um clima ou dar um norte sobre onde começar, caso fosse a primeira vez de alguém em um evento daquele tipo. Mas ao desdobrar o papel com cuidado, sentindo a textura levemente amassada sob os dedos, as palavras não pareciam genéricas. Pareciam... Dirigidas a ela. Não, não só "pareciam". Foram, claramente, escritas diretamente para ela."Você finalmente dançou sozinha."Olhou ao redor, instintivamente esperando encontrar alguém observando sua reação, alguém que pudesse ter deixado aquilo ali de propósito, testemunhando o momento exato em que ela leria. Mas só encontrou desconhecidos, absortos em suas próprias conversas, seus próprios desejos, suas próprias lanternas. Ninguém parecia estar prestando atenção nela. Ninguém parecia saber de nada.O papel ainda tremia de leve entre seus dedos. Ela pensou em todas as explicações possíveis: um erro, uma lanterna reutilizada de outro evento, uma brincadeira sem sentido de algum funcionário entediado. Mas havia algo na caligrafia, no jeito cuidadoso como as palavras tinham sido escritas, que parecia carregar peso demais para ser acidental. E de repente uma raiva começou a encher seu peito, passando pelas feições delicadas até finalmente parar em seu olhar. — “Finalmente?” – Sussurrou, entre dentes. “Finalmente”? Repetiu em pensamento, inconformada. Haeri sempre havia dançado sozinha. Era seu destino. Sempre foi. Não importava quantas pessoas tivessem entrado em seu caminho. Quantas “Florences” ela teve que passar por cima.Sem pensar duas vezes, amassou o papel entre os dedos, apertando com uma força que quase surpreendeu a si mesma e em seguida o rasgou em diversos pedaços, pouco preocupada de que a atitude acabaria sujando o chão. Inspirou profundamente, antes de fechar os olhos e se esforçar para que a raiva que sabia estar concentrada em seu olhar, rastejasse de volta para onde ela costumava escondê-la. Só voltou a abrir quando teve certeza que estava com tudo sob controle novamente, e com a graciosidade que lhe era de costume, começou a escrever no papel em branco.“Ahn Haeri”.Não havia mais nada a acrescentar, nenhuma vontade formulada, nenhum sonho articulado da forma como todos ao redor pareciam fazer com tanta facilidade, enquanto rabiscavam desejos de amor, saúde, sucesso ou escreviam o que quer que fosse. Escrever qualquer coisa além do próprio nome pareceria, naquele instante, uma admissão. Porque o bilhete não falava de solidão no sentido vago que ela tentou, por um segundo, convencer a si mesma que falava. Falava de Florence. Só podia ser sobre Florence. Sobre o palco que só se abriu inteiro para Haeri depois que a outra garota desapareceu, sobre cada solo que veio depois, cada papel principal que alguns acreditavam que ela não teria conquistado tão cedo se Florence ainda estivesse lá para competir por eles. Finalmente. Como se sua carreira inteira fosse, na verdade, resultado de uma ausência, e não de mérito. Como se alguém, em algum lugar, tivesse cronometrado exatamente quando a "concorrência" sumiu e quando os holofotes finalmente pousaram só sobre ela, e quisesse que Haeri soubesse que essa conta tinha sido feita.Dobrou o papel com cuidado exagerado, as mãos já não tremiam mais, o rosto já estava novamente composto na expressão serena que sabia usar tão bem, e só então permitiu que os olhos procurassem o rio à frente, como se tudo aquilo não tivesse acabado de rachar alguma coisa por dentro dela.